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ROTINA NA EDUCAÇÃO INFANTIL



A fim de possibilitar às crinças um ambiente onde elas possam pesquisar e expressar os temas que desejam abordar nos projetos, o educador deve, desde o início do ano letivo, organizar o espaço pedagógico (a sala de aula, demais espaços da escola, e outros espaços que a comunidade possa oferecer), proporcionando diversas experiências às crianças. Afinal, os temas não surgirão apenas da “espontaneidade” das crianças, mas de sua interação com um meio ambiente rico e estimulante. Denominamos esta organização do espaço pedagógico de rotina, e consideramos que, dentre inúmeras possibilidades, a rotina deve oferecer às crianças momentos onde elas possam desenvolver as atividades sugeridas no quadro que se segue:
ROTINA NA EDUCAÇÃO INFANTIL
Hora da Roda
Este momento é presente na rotina de diversas instituições de Educação Infantil, e, podemos afirmar, é um dos mais importantes para a organização do trabalho pedagógico e o desenvolvimento das crianças. Na roda, o professor recebe as crianças, proporcionando sensações como acolhimento, segurança e de pertencer àquele grupo, aos pequenos que vão chegando. Para tal, pode utilizar jogos de mímica, músicas e mesmo brincadeiras tradicionais, como “andoleta” e “corre-cotia”, promovendo um verdadeiro “ritual” de chegada. Após a chegada, o educador deve organizar a roda de conversa, onde as crianças podem trocar idéias e falar sobre suas vivências. Aqui cabe ao educador organizar o espaço, para que todos os que desejam possam falar, para que todos estejam sentados de forma que possam verem-se uns aos outros, além de fomentar as conversas, estimulando as crianças a falarem, e promovendo o respeito pela fala de cada um. Através das falas, o professor pode conhecer cada um de seus alunos, e observar quais são os temas e assuntos de interesse destas. Na roda, o educador pode desenvolver atividades que estimulam a construção do conhecimento acerca de diversos códigos e linguagens, como, por exemplo, marcação do dia no calendário, brincadeiras com crachás contendo os nomes das crinças, jogos dos mais diversos tipos (visando apresentá-los às crianças para que, depois, possam brincar sozinhas) e outras. Também na roda deverão ser feitas discussões acerca dos projetos que estão sendo trabalhados pela classe, além de se apresentar às crinças as atividades doa dia, abrindo, também, um espaço para que elas possam participar do planejamento diário. O tempo de duração da roda deve equilibrar as atividades a serem ali desenvolvidas e a capacidade de concentração/interação das crianças neste tipo de atividade.
Hora da Atividade
Neste momento da rotina, o professor organizará atividades onde a criança, através de ações (mentais e concretas) poderá construir conhecimentos de diferentes naturezas: Conhecimentos Físicos (cuja fonte é a observação e interação com os mais diversos objetos, explorando as suas propriedades); Conhecimentos Lógico-Matemáticos (resultado de ações mentais e reflexões sobre os objetos, estabelecendo relações entre eles), e Conhecimentos Sociais (de natureza convencional e arbitrária, produzidos pelo homem ao longo da historia – a cultura. Por exemplo, a leitura e a escrita, e conhecimentos relacionados à Geografia, à história e a parte das Ciências Naturais). As atividades que proporcionam a construção destes tipos de conhecimentos podem estar ligadas aos temas dos projetos desenvolvidos pela classe, ou podem ser resultado do planejamento do professor, criando uma seqüência de atividades significativas. A organização da sala de aula , para o desenvolvimento de tais atividades, deve proporcionar às crianças a possibilidade de trocarem informações umas com as outras, e de se movimentarem, e de atuarem com autonomia. Assim sendo, é importante que a disposição dos móveis e objetos na sala torne possível: que as crianças sentem em grupos, ou próximas umas das outras; que haja espaço para circulação na sala de aula e que os materiais que as crinças necessitarão para desenvolver as atividades estejam ao seu alcance, e com fácil acesso. Estas atividades também podem ser realizadas em espaços fora da sala de aula, como. Por exemplo, se a turma está desenvolvendo um projeto sobre insetos, pode dar uma volta no jardim da escola, à procura de exemplares para o seu “Insetário”. De qualquer modo, é necessário que o professor planeje as atividades oferecidas, que forneça às crianças os materiais necessários para a sua realização e, sobretudo, esteja presente, ouvindo as crianças e auxiliando-as, pois somente assim ele poderá compreender o desenvolvimento das crianças e planejar atividades cada vez mais adequadas às necessidades delas. Para realizar este acompanhamento, o professor pode planejar e oferecer ao grupo atividades diversificadas, em que cada criança escolhe, dentre as várias atividades disponíveis, em qual se engajará primeiro.
Artes Plásticas
O trabalho com artes plásticas na Educação Infantil visa ampliar o repertório de imagens das crianças, estimulando a capacidade destas de realizar a apreciação artística e de leitura dos diversos tipos de artes plásticas (escultura, pintura, instalações). Para tal, o professor pode pesquisar e trazer, para a sala de aula, diversas técnicas e materiais, a fim de que as crianças possam experimentá-las, interagindo com elas a seu modo, e produzindo as suas próprias obras, expressando-se através das artes plásticas. Assim, elas aumentarão suas possibilidades de comunicação e compreensão acerca das artes plásticas. Também poderão conhecer obras e histórias de artistas (dos mais diversos estilos, países e momentos históricos), apreciando-as e emitindo suas idéias sobre estas produções, estimulando o senso estético e crítico.
Hora da História
Podemos dizer que o ato de contar histórias para as crianças está presente em todas as culturas, letradas ou não letradas, desde os primórdios do homem. As crinças adoram ouvi-las, e os adultos podem descobrir o enorme prazer de contá-las. Na Educação Infantil, enquanto a criança ainda não é capaz de ler sozinha, o professor pode ler para ela. Quando já é capaz de ler com autonomia, a criança não perde o interesse de ouvir histórias contadas pelo adulto; mas pode descobrir o prazer de contá-las aos colegas. Enfim, a “Hora da História” é uma momento valioso para a educação integral (de ouvir, de pensar, de sonhar) e para a alfabetização, mostrando a função social da escrita. O professor pode organizar este momento de diversas maneiras: no início ou fim da aula; incrementando com músicas, fantasias, pinturas; organizando uma pequena biblioteca na sala; fazendo empréstimos de livros para que as crianças leiam em casa, enfim, há uma infinidade de possibilidades.
Hora da Brincadeira
Brincar é a linguagem natural da criança, e mais importante delas. Em todas as culturas e momentos históricos as crianças brincam (mesmo contra a vontade dos adultos). Todos os mamíferos, por serem os animais no topo da escala evolutiva, brincam, demonstrando a sua inteligência. Entretanto, há instituições de Educação Infantil onde o brincar é visto como um “mal necessário”, oferecido apenas por que as crianças insistem em fazê-lo, ou utilizado como “tapa-buraco”, para que o professor tenha tempo de descansar ou arrumar a sala de aula. Acreditamos que a brincadeira é uma atividade essencial na Educação Infantil, onde a criança pode expressar suas idéias, sentimentos e conflitos, mostrando ao educador e aos seus colegas como é o seu mundo, o seu dia-a-dia. A brincadeira é, para a criança, a mais valiosa oportunidade de aprender a conviver com pessoas muito diferentes entre si; de compartilhar idéias, regras, objetos e brinquedos, superando progressivamente o seu egocentrismo característico; de solucionar os conflitos que surgem, tornando-se autônoma; de experimentar papéis, desenvolvendo as bases da sua personalidade. Cabe ao professor fomentar as brincadeiras, que podem ser de diversos tipos. Ele pode fornecer espelhos, pinturas de rosto, fantasias, máscaras e sucatas para os brinquedos de faz-de-conta: casinha, médico, escolinha, polícia-e-ladrão, etc. Pode pesquisar, propor e resgatar jogos de regra e jogos tradicionais: queimada, amarelinha, futebol, pique-pega, etc. Pode confeccionar vários brinquedos tradicionais com as crianças, ensinando a reciclar o que seria lixo, e despertando o prazer de confeccionar o próprio brinquedo: bola de meia, peteca, pião, carrinhos, fantoches, bonecas, etc. Pode organizar, na sala de aula, um cantinho dos brinquedos, uma “casinha” além de, é claro, realizar diversas brincadeiras fora da sala de aula. Além disso, as brincadeiras podem despertar projetos: pesquisar brinquedos antigos, fazer uma Olimpíada na escola, ou uma Copa do Mundo, etc.
Hora do Lanche/Higiene
Devemos lembrar que comer não é apenas uma necessidade do organismo, mas também uma necessidade psicológica e social. Na Bíblia, por exemplo, encontramos dezenas de situações em que Jesus compartilhava refeições com seus discípulos, fato que certamente marcou nossa cultura. Em qualquer cultura os adultos (e as crianças) gostam de realizar comemorações e festividades marcadas pela comensalidade (comer junto). Por isso, a hora do lanche na Educação Infantil não deve atender apenas às necessidades nutricionais das crianças, mas também às psicológicas e sociais: de sentir prazer e alegria durante uma refeição; de partilhar e trocar alimentos entre colegas; de aprender a preparar e cuidar do alimento com independência; de adquirir hábitos de higiene que preservam a boa saúde. Por isto, a hora do lanche também deve ser planejada pelo professor. A disposição dos móveis deve facilitar as conversas entre as crinças; devem haver lixeiras e material de limpeza por perto para que as crianças possam participar da higiene do local onde será desfrutado o lanche (antes e depois dele ocorrer); deve haver uma cesta onde as crianças possam depositar o lanche que desejam trocar entre si (estimulando a socialização e, ao mesmo tempo, o cuidado com a higiene). Além disso, é importante que o professor demonstre e proporcione às crianças hábitos saudáveis de higiene antes e depois do lanche (lavar as mãos, escovar os dentes, etc.). O lanche também pode fazer parte dos projetos desenvolvidos pela turma: pesquisar os alimentos ais saudáveis, plantar uma horta, fazer atividades de culinária, produzir um livro de receitas, fazer compras no mercado para adquirir os ingredientes de uma receita, dentre outras, são atividades às quais o professor pode dar uma organização pedagógica que possibilite às crinças participar ativamente, e elaborar diversos projetos junto com a turma.
Atividades Físicas/Parque
Fanny Abramovich lembra-nos, com muito humor, o papel usualmente atribuído ao movimento nas nossas escolas: “Não se concebe que o aluno sequer possua um corpo. Em movimento permanente. Que encontre respostas através de seus deslocamentos. Um corpo que é fonte e ponte de aprendizagens, de reconhecimentos, de constatações, de saber, de prazer. Basicamente, possui cabeça (para entender o que é dito) e mão (para anotar o que é dito). Portanto, pode e deve ficar sentado o tempo todo da aula. Breves estiramentos, andadelas rápidas, podem ser efetuadas nos intervalos. No mais, os braços são úteis para segurar livros/cadernos/papéis e pés e pernas se satisfazem ao ser selecionados para levantar/perfilar/sair. E basta.” (ABRAMOVICH, 1998, p. 53) Na Educação Infantil, o principal objetivo do trabalho com o movimento e expressão corporal é proporcionar à criança o conhecimento do próprio corpo, experimentando as possibilidades que ele oferece (força, flexibilidade, equilíbrio, entre outras). Isto proporcionará a ela integrá-lo e aceitá-lo, construindo uma auto-imagem positiva e confiante. Para isso o professor deve proporcionar atividades, fora e dentro da sala de aula, onde a criança possa se movimentar. Alongamentos, ioga, circuitos, brincadeiras livres, jogos de regras, tomar banho de mangueira, subir em árvores... são diversas as possibilidades. O professor deve organizá-las e planejá-las, mas sempre com um espaço para a invenção e colaboração da criança. O momento do parque também assume uma conotação diferente. Não é apenas um intervalo para descanso das crianças e dos professores. É mais um momento de desafio, afinal, há aparelhos, árvores, areia, baldinhos e pás, pneus, cordas, bolas, bambolês e tantas brincadeiras que esses materiais oferecem. O professor deve estar próximo, auxiliando e estimulando a criança a desenvolver a sua motricidade e socialização, ajudando, também, a resolver os conflitos que surgem nas brincadeiras quando, porventura, as crianças não forem capazes de solucioná-los sozinhas.
Atividades Extra-Classe
(Interação com a comunidade)
A sala de aula e o espaço físico da escola não são os únicos espaços pedagógicos possíveis na Educação Infantil. Em princípio, qualquer espaço pode tornar-se pedagógico, dependendo do uso que fazemos dele. Praças, parques, museus, exposições, feiras, cinemas, teatros, supermercados, exposições, galerias, zoológicos, jardins botânicos, reservas ecológicas, ateliês, fábricas e tantos outros. O professor deve estar atento à vida da comunidade e da cidade onde atua, buscando oportunidades interessantes, que se relacionem aos projetos desenvolvidos na classe, ou que possam ser o início de novos projetos. Isto certamente enriquecerá e ampliará o projeto político-pedagógico da instituição, que não precisa ser confinando à área da escola. Podem haver até mesmo intercâmbios com outras instituições educacionais.
Obs.: Quadro baseado em DEVIRES e ZAN (1998). Utilizamos algumas terminologias das autoras, acrescentando elementos da nossa própria prática pedagógica.
            A rotina é um elemento importante da Educação Infantil, por proporcionar à criança sentimentos de estabilidade e segurança. Também proporciona à criança maior facilidade de organização espaço-temporal, e a liberta do sentimento de estresse que uma rotina desestruturada pode causar. Entretanto, como vimos, a rotina não precisa ser rígida, sem espaço para invenção (por parte dos professores e das crianças). Pelo contrário a rotina pode ser rica, alegre e prazerosa, proporcionado espaço para a construção diária do projeto político-pedagógico da instituição de Educação Infantil. Vale, ainda, lembrar que “a dinâmica de um grupo de crianças é maior que a rotina da creche” (BATISTA, 2001). Isto é, a rotina aqui proposta é apenas uma sugestão, pois a melhor rotina para cada grupo de crianças só pode ser estabelecida pelo seu professor, no contato diário com as crianças.
Avaliação na Educação Infantil: o adulto como um dos mediadores do desenvolvimento infantil.
            Nenhuma proposta de organização do trabalho pedagógico está completa sem expressar sua concepção sobre avaliação. Afinal, a forma como os educadores realizam suas avaliações sobre os alunos expressam, em último grau, a sua concepção de educação. Seja como uma educação repressora e bancária, onde o professor deposita o conhecimento, que o aluno deve reproduzir. Ou como uma educação progressista e democratizadora, voltada para o pleno desenvolvimento do ser humano, de sua consciência crítica, de sua capacidade de ação e reação. Nesta última visão a avaliação não tem a função de medir, comparar, classificar, e aprovar/reprovar, excluindo aqueles que não chegam ao padrão preestabelecido. Mas a função de proporcionar ao professor uma melhor compreensão sobre a aprendizagem dos alunos, avaliando constantemente o trabalho pedagógico por ele oferecido aos alunos, a fim de poder superar as dificuldades encontradas. É esta a concepção que defendemos.
            No que se refere à Educação Infantil, esta postura avaliativa significa a adoção de “posturas contrárias à constatação e registro de resultados alcançados pela criança a partir de ações dirigidas pelo professor, buscando, ao invés disso, ser coerente à dinâmica do seu processo de desenvolvimento, a partir do acompanhamento permanente da ação da criança e da confiança na evolução do seu pensamento. Tal postura avaliativa mediadora parte do princípio de que cada momento de sua vida representa uma etapa altamente significativa e precedente as próximas conquistas, devendo ser analisado no seu significado próprio e individual em termos de estágio evolutivo de pensamento, de suas relações interpessoais. E percebe-se, daí, a necessidade do educador abandonar listagens de comportamentos uniformes, padronizados, e buscar estratégias de acompanhamento da história que cada criança vai constituindo ao longo de sua descoberta do mundo. Acompanhamento no sentido de mediar a sua ação, favorecendo-lhe desafios, tempo, espaço e segurança em suas experiências.” (HOFFMANN, 1996, p. 24)
            Esta proposta de avaliação concebe o professor/adulto como mediador. Isto significa que não é esperado que, na avaliação, a criança reproduza os conhecimentos que o professor transmitiu. Pois aqui o professor não é a única “fonte” de conhecimento. O conhecimento surge da relação que a criança estabelece com as outras crianças (de diferentes idades), com os adultos (pais, professores, e outros) com o meio ambiente e com a cultura. Por tanto, ela jamais irá reproduzir uma informação recebida, mas sim irá fazer a leitura desta informação, de acordo com os recursos de que dispõe. O professor, as outras crianças, o meio, a cultura, todos estes elementos são agentes mediadores entre a criança e a informação. Entre conhecimento e desenvolvimento. Entre cultura e inovação.
            Por isto, não há como avaliar a criança de acordo com expectativas preestabelecidas pelo adulto. Não é possível preencher listas, formulários ou boletins, pois isto tudo significaria comparar e medir, classificando as crianças. O registro da avaliação deve ser o registro da história vivida pela criança, no período descrito. Desta forma podem ser utilizados relatórios descritivos e porta-fólios, por exemplo. Quanto aos relatórios descritivos, estes devem ser elaborados de maneira que “ao mesmo tempo que refaz e registra a história do seu processo dinâmico de construção do conhecimento, sugere, encaminha, aponta possibilidades da ação educativa para pais, educadores e para a própria criança. Diria até mesmo que apontar caminhos possíveis e necessários para trabalhar com ela é o essencial num relatório de avaliação, não como lições de atitudes à criança ou sugestões de procedimentos aos pais, mas sob a forma de atividades a oportunizar, materiais a lhe serem oferecidos, jogos, posturas pedagógicas alternativas na relação com ela.” (HOFFMANN, 1996, p. 53)
            Enfim, esta é uma proposta de avaliação em que não apenas a criança é avaliada, mas todo o trabalho pedagógico oferecido a ela também é avaliado, repensado e modificado sempre que necessário. Não é uma avaliação final, pontual, retratando um único momento da criança. Mas uma avaliação processual, que, entretanto, é registrada periodicamente.
Concluindo (por enquanto).
            Como afirma o Dr. Lisboa, “O fundamental para as crianças menores de seis anos é que elas se sintam importantes, livres e queridas.” (LISBOA, 2001) Este deve ser o objetivo fundamental de qualquer ação educativa voltada para as crianças de 0 a 6 anos. A organização do trabalho pedagógico visando alcançar estes objetivos pode assumir várias formas, expressas em diferentes métodos. Mas, necessariamente, tem de ser pautada por uma postura de respeito à criança: ao seu ritmo de desenvolvimento, à sua origem social e cultural, às suas relações e vínculos afetivos; à sua expressão (plástica, oral, escrita, em todos os tipos de linguagem) e às suas idéias, desejos e expectativas. Sem, porém, jamais abdicar da procura por ampliar, cada vez mais, este mundo infantil.
Bibliografia
ABRAMOVICH, Fanny. O professor não duvida! Duvida? São Paulo: Gente, 1998.
BATISTA, Rosa. A rotina no dia-a-dia da creche: entre o proposto e o vivido. Trabalho apresentado
na reunião anual da ANPEd, em outubro/2001.
BRASIL. Referencial curricular nacional para a educação infantil. Brasília: MEC/SEF, 1998.
CUNHA, Suzana R. V. da (org.). Cor, som e movimento: a expressão plástica, musical e dramática
no cotidiano da criança. Porto Alegre: Mediação, 2001.
DEVIRES, Rheta; ZAN, Betty. A ética na educação infantil: o ambiente sócio-moral na escola. Porto
Alegre: Artes Médicas, 1998.
HOFFMANN, Jussara Maria Lerch. Avaliação na pré-escola: um olhar sensível e reflexivo sobre a
criança. Porto Alegre: Mediação, 1996.
KAMII, Constance; DEVRIES, Rheta. Piaget para a educação pré-escolar. Porto Alegre: Artes
médicas, 1991.
KRAMER, Sônia (org.). Com a pré-escola nas mãos: uma alternativa curricular para a educação
infantil. São Paulo: Ática, 1999, 13 ed.
KRAMER, Sônia. A política do pré-escolar no Brasil: a arte do disfarce. São Paulo: Cortez, 1995, 5
ed.
KRAMER, Sônia; SOUZA, Solange Jobim e (org.). Educação ou tutela? A criança de 0 a 6 anos. São
Paulo: Loyola, 1991.
LISBOA, Antônio Márcio Junqueira. Correio Braziliense, 20/04/2001.
LISBOA, Antônio Márcio Junqueira. O seu filho no dia-a-dia: dicas de um pediatra experiente. Vol. 3.
Brasília: Linha Gráfica, 1998.
OSTETTO, Luciana Esmeralda (org.). Encontros e encantamentos na educação infantil: partilhando
experiências de estágios. Campinas, SP: Papirus, 2000.
WINNICOTT, Donald Woods. A criança e o seu mundo. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1982.

Taicy de Ávila Figueiredo
Pedagoga, mestranda em Educação. Professora de Educação Infantil, atuando na Secretaria de Educação do Distrito Federal.

HIPERATIVIDADE

A hiperatividade, denominada na medicina de desordem do déficit de atenção, pode afetar crianças, adolescentes e até mesmo alguns adultos. Os sintomas variam de brandos a graves e podem incluir problemas de linguagem, memória e habilidades motoras. Embora a criança hiperativa tenha muitas vezes uma inteligência normal ou acima da média, o estado é caracterizado por problemas de aprendizado e comportamento. Os professores e pais da criança hiperativa devem saber lidar com a falta de atenção, impulsividade, instabilidade emocional e hiperativa incontrolável da criança.O comportamento hiperativo pode estar relacionado a uma perda da visão ou audição, a um problema de comunicação, como a incapacidade de processar adequadamente os símbolos e idéias que surgem, estresse emocional, convulsões ou distúrbios do sono. Também pode estar relacionado a paralisia cerebral, intoxicação por chumbo, abuso de álcool ou drogas na gravidez, reação a certos medicamentos ou alimentos e complicações de parto, como privação de oxigênio ou traumas durante o nascimento. Esses problemas devem ser descartados como causa do comportamento antes de tratar a hiperatividade da criança.O verdadeiro comportamento hiperativo interfere na vida familiar, escolar e social da criança. As crianças hiperativas têm dificuldade em prestar atenção e aprender.

O Significado de Limites na educação das crianças

LIMITE: Eis aqui um assunto que permite várias ponderações, pois afeta deste o ponto de vista cultural, social, financeiro até o emocional. Tão difícil e tão fácil. Tão pessoal e tão abrangente. Como lidar com esta questão?
Nesta próximas edições vou colocar alguns ângulos para que possamos amadurecer este conceito.

Necessidades de Limites
Os limites tem a função de ensinar à criança o que é e o que não é permitido. Sobretudo, tem também a função de dar proteção e segurança. A função protetora dos limites não se restringem apenas aos limites colocados com o objetivo de evitar situações de perigo ou risco (“Cuidado com a panela, o fogo está aceso!”). Abrange algo bem mais amplo, tal como proteger a criança contra o excesso de sentimento de culpa ou remorso, quando percebe que na realidade nos atacou, nos machucou ou destruiu alguma coisa importante para nós. Por isso, é necessário impedir os ataques físicos da criança, embora se possam reconhecer seus sentimentos (“Sei que você está com muita raiva de mim, mas não vou deixar você me dar um soco”). Quando a criança sente raiva ou ódio com muita intensidade, fica difícil, na maioria das vezes frear-se sozinha. Precisa de nossa ajuda no sentido de canalizar a expressão desses sentimentos, de modo não destrutivo. E essa ajuda significa firmeza e a segurança de limites bem colocados. Com muita freqüência a criança testa a consistência e a firmeza dos limites, usando várias manobras que variam desde o franco desafio até a sedução.

Em torno do 1º ano, as crianças não tem controle interno de espécie alguma, por isso, o impulso e a tentação são fortes demais e ela não consegue aceitar e respeitar os limites. Pouco a pouco, vai aumentando a capacidade de controlar os impulsos e resistir às tentações e, concomitantemente, fica maior a possibilidade de internalizar os limites.

Vemos, por exemplo, a criança entrar na fase em que diz para ela mesma “não”, para logo em seguida mexer na planta, ou então dar uma olhadinha de curiosidade e de desafio para os pais, para logo depois pegar na planta. Posteriormente, quando há um amiguinho por perto que também quer mexer na planta, a criança atua como um verdadeiro censor que proíbe autoritariamente: “não, na planta não!”, para logo depois ela mesma mexer. Há o período em que, na presença dos pais, a criança já consegue controlar-se, mas o censor interno não é muito fidedigno e basta apenas que os pais virem as costas para que o controle pare de funcionar. Finalmente, a internalização se consolida melhor, e a criança pode mais facilmente resistir a tentação de mexer onde não pode.

Surpreendentemente, limite também é uma demonstração de amor, e a criança percebe esse particular. É como se ela pensasse “se sou cuidada sou amada”. Essa sensação é que dá segurança à criança e propicia seu desenvolvimento.

Falta e educação?

temos uma incrível tendência de confundir falta de educação com temperamento. Ele faz isso porque é assim ou assado, justificamos, quando, na verdade, a situação está pedindo mesmo é que entremos em campo o quanto antes para dar limite e modos ao mocinho ou mocinha. E essa confusão é mais comum do que você imagina e acontece em situações que a maioria de nós considera absolutamente normais. Duvida? Pois mostramos a seguir uma lista de comportamentos mal-educados que muitos pais deixam barato por acreditar que se devem ao jeito de ser do filho.

Não dar beijo
Desculpa: Ela é muito tímida.
Pode até ser. Mas numa família em que o beijo faz parte do ritual de demonstração de afeto, a criança naturalmente o incorpora. “Ela aprende a ser afetiva com pais afetivos”, observa a psicopedagoga Neide Noffs, professora da Pontifícia Universidade de São Paulo (PUC-SP). Ah, mas todos em sua casa são de beijar muito e mesmo assim ela não quer entrar na onda? Algumas crianças, segundo Neide, costumam se mostrar arredia a beijos, especialmente se eles partem de quem ela não conhece. São casos para se abordar com jeitinho. Não adianta falar: “Deixa de ser mal educado, menino!” Vale mais conquistá-la com frases do tipo: “Me dá um beijinho, gosto tanto de você”.
Marília cresceu numa família de sete irmãos. Nunca duvidou do amor dos pais, embora eles fossem bastante econômicos em demonstração de afeto por meio de afagos e beijos. Sem esse aprendizado, confessa que carregou pela vida afora uma certa dificuldade de abraçar, beijar e ser mais afetiva com as pessoas. E não foram poucos os que a consideravam antipática por causa disso, o que restringiu bastante seu círculo de amigos. Com seu filho, Joel, 5 anos, já foi o contrário. Marília o cobriu de beijos e afagos desde o primeiro minuto que a enfermeira o trouxe e colocou em seus braços, ainda no centro obstétrico. É um menino doce e adorável, que não perde uma chance de beijar e abraçar as pessoas de nosso convívio e os coleguinhas na escola.


Não dividir brinquedo ou doce com outra criança
Desculpa: Ele é zeloso com suas coisas (ou secretamente teme: será que meu estou criando um pequeno egoísta?)
Ele não que dar porque ainda é novinho, não sabe o que é dividir, dizem os pais. Vivían de Andrade Niklos, coordenadora pedagógica do Colégio Alvorecer, concorda: “Até os quatro anos a criança pensa da seguinte maneira: o que é meu, é meu; e o que é dele é nosso”, explica. Não é desculpa para deixar por isso mesmo quando o pequeno se recusa a partilhar. “Esse é um conceito que devemos ajudar a criança a construir desde cedo para que não vire um egocênctico no futuro”, observa Vívian. Se ele se recusa a repartir um doce, você tem todo o dever de entrar em campo, assegura a psicopedagoga Neide, e fazer a divisão pelo filho e aquentar firme o chororo. Normalmente, quando a mãe faz isso, a criança embirra e não quer a metade que lhe coube. Aí a reação comum em muitos pais é dizer: ah, é, então eu dou tudo para o fulano. “Assim ele entra na birra da criança e a ação educativa vai para o espaço. Se a criança não quer naquela hora, o melhor a fazer é dizer: ‘então, vai ficar aqui guardado para quando você quiser, pois esse pedaço é só seu.’ Assim ela entende o sentido de dividir: aquele pedaço é dela, não o doce todo”, explica Neide.
E quando a criança recebe um amiguinho em casa e fica regulando os brinquedos? Em primeiro lugar, antes da visita chegar, os pais devem conversar com o filho: ele não é obrigado a dividir com o coleguinha os brinquedos que ele mais gosta. Mas se não quiser fazer isso, deve guardá-los e deixar a mostra só aqueles que poderão ser socializados. “A criança também tem direito de ter o espaço dela, de ter coisas que ela não gosta de dividir. E isso precisa ser respeitado. Se não a gente acaba criando uma pessoa muito submissa”.


Deixar brinquedos espalhados pela casa toda
Desculpa: Puxou ao pai no jeito desorganizado.
Nada disso. A pedagoga Vívian garante que nenhuma criança nasce bagunceira. Ela se torna bagunceira quando encontra as condições ideais para isso: se há adultos que dão o exemplo dentro de casa ou se não conta com medidas educativas que a ensinem a ser organizada. “Na escola, desde o começo trabalhamos com rotinas bem definidas. Antes de passar para outra atividade, os alunos guardam todos os materiais que usaram na anterior. Com isso vão construindo a noção de organização”, explica Vívian, que aconselha os pais a seguirem a mesma política em casa. Se cansou de brincar com um brinquedo? Então vamos guardá-lo e pegar outro. Mas para que a tática dê resultados, é preciso montar um cantinho dos brinquedos, onde eles fiquem arrumados em uma caixa ao alcance do pequeno.


Falar alto, cantar, dar show interrompendo os adultos a qualquer hora
Desculpa: Meu filho é muito extrovertido
Criança adora uma atenção e faz tudo para que os adultos fiquem ligados nela. Precisa aprender, porém, que tem hora para tudo. E que as outras pessoas também tem seus afazeres, suas responsabilidades, suas ocupações. Ninguém é platéia para ela o tempo todo. Ela também precisa ter um tempo consigo mesma, com seus brinquedos, com seus amigos imaginários. Ensinamos isso a nossos filhos com atitudes. Você está conversando com uma visita e ela monta um showzinho no meio da sala? “Parem a conversa um instante para dar um pouquinho de atenção à garota, em seguida, a mãe pode dizer: ‘filha, estou resolvendo um assunto de adultos com a fulana, vá brincar em seu quarto, por favor’”, afirma Neide. O importante é dar uma alternativa à criança. Não deixá-la sem fazer nada. Um intercâmbio com a escola também pode ajudar. Lá ela aprende que tem hora para cada atividade e também que cada aluno tem a sua vez de falar ou de ser o centro das atenções. Assim também pode funcionar em casa.


Comer pouco, não comer, comer só o que quer
Desculpa: Tão pequeno e já é cheio de vontade, por isso não há mesmo jeito de fazer ele comer o que não gosta
Tudo bem. Nem todo mundo gosta de banana ou é obrigado a achar espinafre um manjar dos deuses. Mas tem criança que nem comeu e já diz que não gosta. E casos como o da Nicole, então? Patrícia, sua mãe, não sabe como explicar: “Na escolinha ela simplesmente come de tudo, verduras, legumes, frutas... Em casa, não quer saber de nada disso. É um baile fazer com que ela engula alguma coisa”, suspira.
O problema é que demonstramos uma angustia enorme diante de um filho que se recusa a comer – e ele, que não é nada bobo, nota logo que pegou em seu ponto frágil. Descobre que esvaziar ou não o prato pode ser uma boa arma de barganha. E também uma forma de ir batalhando sua autonomia, mostrando que é diferente dos pais – eles querem que eu coma cenoura, mas eu prefiro cachorro quente! Na escola ele come de tudo porque está entre iguais, vai na onda dos coleguinhas.
O segredo para lidar com os maus hábitos de uma criança com comida é não fazer disso um cavalo de batalha. Foi o que percebeu a psicopedagoga Maria Irene Maluf, mãe de Maria Paula e Maria Fernanda, percebeu isso na própria pele. “Quando era pequena, uma de minhas meninas não comia nada. Eu ficava desesperada até que um dia o pediatra dela me disse: ‘olha, nunca vi uma criança que morasse em casa que tem comida morrer de fome’. Ouvindo aquilo, caiu a ficha na hora: ela não queria almoçar, tudo bem, eu tirava o prato. Mas sempre deixava uma bolacha, um ovo cozido ou outra coisa na cozinha, ao alcance dela. Mas só coisa saudável, nada chocolate ou outra guloseima. Assim, quando tinha fome ela ia lá e comia. Aos poucos, ao perceber que eu não estavam me importando mais, ela começou a comer normalmente como todos da casa”, diz Irene.


Jogar papel no chão
Desculpa: Coitadinho, ele não faz por mal, é só distraído.
Fazendo vistas grossas para “distrações” ajudamos a degradar um pouquinho mais o nosso planeta - afinal não estamos contribuindo em nada para for-mar um ser consciente da necessidade de preservá-lo. E esteja certa, eles aprendem isso partir de pequenos gestos como o de colocar o papel da bala no local adequado: o cesto de lixo.
Dia desses Vivian presenciou uma cena muito bacana no Alvorecer, onde os alunos de educação infantil, desde o início, aprendem sobre coleta seletiva de lixo. “Um dos alunos do ensino fundamental jogou um papel de doce no chão e um dos pequenininhos que viu a cena correu atrás dele, puxou suas calças e falou: “ei, você não viu que ali tem saco de lixo?”, conta ela.
Ajuda bastante quando os pais também criam essa cultura em casa. “Em minha casa sempre mantive pequenos lixos em cada cômodo, até no quarto das crianças. Se não tem um recipiente próprio à vista, não adianta nada viver dizendo para a criança pequena “joga o lixo no cesto, menino!”. Outra medida educativa certeira é ajudar a criança a refazer a cena do modo mais adequado. Ela jogou um papelzinho de bala no chão? Pegue-a pela mão, volte ao local e diga: “Filho, vamos jogar o papelzinho no lixo?” Ela recolhe, você aponta o lugar certo para jogar e pronto: meio caminho andado para reforçar um bom hábito! Lição inversa dão aqueles pais que vira e mexe jogam pequenos lixinhos pela janela do carro. Se não há um saquinho dentro do veículo próprio para descartar pequenas coisas, deixei num cantinho da bolsa e jogue no lixo de casa.


Não ter hora para dormir
Desculpa: Ela é muito elétrica, tem um horário biológico diferente do nosso.
Deu 8 horas da noite, o filho mais velho de Simone, Vicente, 5 anos, “apaga”. Já a caçula, Cecília, 3, vai até 1 da manhã com a corda toda, se ela deixar. “Já fiz de tudo para tentar acomodar o horário de sono dela”, conta Simone. Chacoalhar ainda funciona um pouco, só haja braço para agüentar o peso da menina. Contar história não adianta, ela fica ainda mais elétrica. O mesmo acontece se colocar um DVD. Simone também já tentou a tática de dar banho tarde da noite, com sabonete de camomila, sem sucesso. Agora o que tem feito é obrigá-la a deitar às 23 horas. “Na maioria das vezes, ela chora por uns três minutos e acaba pegando no sono”, diz.
O sono é comandado pelo relógio biológico, cujos ponteiros podem variar de pessoa para pessoa. Mas ajuda bastante criar uma rotina, explica Irene Maluf. “Os pais devem habituar a criança a dormir sempre no mesmo horário e criar sinalizações para que elas saibam quando a hora de ir para a cama está se aproximando”, diz Irene. Coisas bem fáceis de identificar. Um exemplo? O sinal pode ser o final do desenho que passa às 7 horas da noite e seu filho não perde por nada. Terminou? Então, já para a cama!

Dizer tudo o que pensa
Desculpa: Olha que gracinha, como ele é espontâneo.
Não é tão gracinha quando uma pessoa obesa para pela rua e ele solta um “que gorda!”. Ou um “você é muito chato” para aquele parente de cerimônia. Criança costuma falar mesmo tudo o que pensa porque ainda não tem censura. Ainda não aprendeu que tem coisas que a gente diz em publico e outras que guardamos para momentos mais reservados. Por isso, uma das responsabilidades dos pais é mostrar a seus filhos que existem regras de convivência, e que nem sempre dizer tudo o que pensa combina com elas. “Não adianta ralhar com a criança em público, na hora em que ela solta a indiscrição. Ela vai se sentir o centro das atenções. Como criança adora isso, acaba repetindo o comporta-mento”, diz Neide Noffs.
Mas não deixe barato, em outro momento volte a falar da cena e diga porque agir daquela forma não é adequado. Que as pessoas podem reclamar, achar ela chato. E que se insistir em agir assim ela pode acabar perdendo amigos, ninguém gosta de uma pessoa inconveniente por perto.

fonte:RevistaPaiseFilhos.com.br

 
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